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ONTEM NA TVCINEMA · TELEVISÃO · MEMÓRIA

Twin Peaks e a TV que aprendeu a sonhar

Em 1990, uma pergunta — quem matou Laura Palmer? — levou o cinema de autor para o horário nobre e abriu a porta que toda série de prestígio atravessou depois.

POR ONTEM NA TV24 DE JUNHO DE 20261 MIN DE LEITURA
fotograma · a placa de twin peaks entre pinheiros
Bem-vindo a Twin Peaks: população, um mistério.crédito a cadastrar

Uma cidade pequena, um corpo envolto em plástico, um agente do FBI apaixonado por torta de cereja. Com esses elementos de folhetim, David Lynch e Mark Frost fizeram a ABC transmitir, em horário nobre, sonhos, salas vermelhas e anões que falam de trás para frente.

O fenômeno foi imediato: audiências gigantes, capas de revista, palpites de bar sobre o assassino. Mas a revolução era formal — pela primeira vez uma rede americana tratava a série semanal como obra autoral, com atmosfera, tempo morto e mistério que não pedia desculpas.

O preço e a herança

A própria emissora forçou a revelação do assassino, e a segunda temporada pagou o preço. O cancelamento em 1991 parecia o fim; o retorno em 2017, dezoito horas de liberdade radical, provou que a televisão ainda cabia nos sonhos de Lynch.

A herança está em toda parte: nas cidades estranhas, nos detetives assombrados, nas tramas que confiam no espectador. A TV de prestígio moderna nasceu ali — entre uma xícara de café e uma cortina vermelha.

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